Bem, me desculpe quem se ofender, mas essa história de segregação e preconceito racial é uma grande idiotice hoje em dia.
Veja bem, estou me referindo a atualidade, onde principalmente no Brasil, todo mundo é misturado. Não tem essa de branco, preto, laranja ou azul. Não se classifica mais assim.
Nossa linhagem tem negro, índio, asiático e europeu. Numa análise de DNA, um branquelo pode ser considerado mais negro que um negão e um negão ter mais de branquelo do que imagina.
Virou uma bagunça geral e somos todos na verdade, da raça humana. Partindo daí deveríamos nos preocupar em não permitir a maior segregação que existe, e que aceitamos na maior parte do tempo que é a social.
Os lugares são bem distintos e separados por: você têm grana pode , você não têm nem sonha.
Além dos lugares, temos as opções de consumo e educação pra quem pode e pra quem não pode.
Saúde por exemplo, especificamente alimentação; já tentou fazer uma feira com produtos orgânicos ou comprar coisas de melhor qualidade no mercado?
Tô falando de qualidade real e não golpe de marketing. Se você não tiver grana pra isso se contente com aquela alimentação barata, vazia e super calórica. E claro, não esqueça que, consumir carne, leite, e outros produtos marketeados são um direito seu.
Gente, desde quando ser enganado é um direito? Os melhores e mais saudáveis produtos são destinados a pessoas mais abastadas, como se somente quem tivesse condições financeiras tivesse o direito de se alimentar bem. Acostumaram as pessoas a três sabores o salgado, o doce e o gorduroso. Que em seus resultados de uso prolongado e desenfreado causam, obesidade, diabetes, hipertensão e dependência entre outros.
O grande problema é que são poucos os que sabem se alimentar bem, enfiaram na cabeça das pessoas que determinados produtos e hábitos, não fazem mal e pior, que elas tem o direito de consumir. Um desses produtos é a carne, o irracional consumo de carne que por mais incrível que pareça, está devastando a maior floresta do mundo e consome mais de 50% do que é colhido em cereais para alimentação do gado que vai ser morto e que não vai alimentar nem 18% da população do país.
Enfim, muito pra nada porque comer carne nem faz bem, já que os animais são criados de forma precária, recebem mais de 20 tipos de antibióticos e outros remédios que contaminam sua carne e que acabam diminuindo a saúde de quem come.
Mas a historia da carne fica pra um outro post, hoje vou tentar me ater a segregação social que vivemos e não percebemos ou simplesmente nos calamos porque achamos que - temporariamente - não estamos do pior lado.
Vi no mercado um iogurte com suco de laranja, um alimento funcional, rico em fibras, saudável que regula as funções intestinais, a mais de R$ 8,00 uma garrafa. Vamos as contas, uma pessoa que tome um copo de 200 ml de iogurte todas as manhãs (pobre também tem prisão de ventre) vai precisar de duas garrafas por semana ou seja R$16,00, em um mês R$ 64,00 e isso só em iogurte e pra uma pessoa só.
Com o salário mínimo na faixa de R$ 400,00 - a maior parte da população brasileira ganha isso pra viver - ficaria impraticável ainda comprar alimentos saudáveis que seguem na mesma faixa de preço, e ainda pagar pra morar, transporte, mais o custo da vida geral.
Tendo família então, passa longe de tudo o que for saudável, fica no arroz branco barato que não tem nada de nutrientes, no feijão preto que nem é o tipo mais saudável, nas frituras que são mais baratas e rápidas - pois gastam menos tempo de cozimento e consequentemente gasta-se menos gás- e só enchem a pessoa de gordura localizada - por isso vemos tantos pobres gordos e barrigudos, pelo excesso de frituras que comem - uma alimentação vazia, que só serve pra inchar o estômago e dar a sensação de saciedade.
Não adianta falar que a classe média virou a classe C e D como se isso fosse uma vantagem. Lendo uma revista de negócios onde fizeram um estudo sobre os hábitos da classe média baixa -existe isso?- e em determinado momento enaltecem o consumo de determinados produtos como uma vitória. Gente! Alow! Não é vantagem dar uma caixinha de leite achocolatado pro seu filho pequeno, o leite dá muco, que é a porta de entrada para várias doenças e inclusive alimento para o câncer. Esquece isso, compra fruta, espreme e faz um suco - sem a porcaria do açúcar branco que só ferra teu corpo - isso sim é dar saúde.
Mas me diga uma coisa: como pode num país desse tamanho com a produção agrícola que temos, uma dúzia de laranja custar em torno de R$ 3,50? Isso é um absurdo, uma burrice muito conveniente em logística. Se o governo tivesse o mínimo de decência com seus cidadãos e se os próprios cidadãos tivessem boa vontade na prática, armazenamento e distribuição desses produtos naturais, não teríamos o tamanho de perda que temos e os produtos chegariam muito mais barato no consumidor final e esses sim, trariam saúde de verdade.
Uma alimentação bem balanceada, natural e fortificante, não uma embalagem bonitinha, com uma boa jogada de maketing com um preço alto que a pessoa almeja consumir pra se sentir digna e merecedora daquilo que no fundo só faz mal.
Na educação passa longe a oportunidade de cultura e conhecimento. Quem estuda num sistema público e consegue ter cultura e progresso na vida é um grande vencedor e iluminado, porque nossas escolas preparam eternos desempregados ou recurso para subemprego.
A orientação cultural, o conhecimento como cidadão do mundo que o cerca, das oportunidades, direitos e deveres não é de forma alguma explicada, essa fatia - gigante - da população é constantemente manipulada, assim não vão reclamar direitos que desconhecem e festejarão quando conseguirem um trabalho ruim, mas que pague um bifinho algumas vezes por semana no prato, pois o valor de seu crescimento é medido pelo o que ele come.
Já soube de professores que desistiram e somente cumprem sua carga horária para ter direito ao salário no final do mês. E desiludidos assim, incentivam os alunos a aceitarem o fato de a vida ser difícil e de que eles deveriam seguir o mesmo caminho de seus pais sendo pedreiros ou domésticas.
Nada contra as profissões, mas em sua maioria foram feitas por falta de escolha e total necessidade. Qualquer doméstica ou pedreiro preferiria uma condição de vida melhor. Incentivar uma criança a não se interessar pelos estudos e por melhoria de vida é indigno.
Saúde e educação não podem ser considerados itens acessórios, que somente alguns poucos merecem. Considero a segregação social uma forma de genocídio.
Pode ser forte pensarmos assim, mas imagine gerações e mais gerações dependentes de açúcar, sal e alimentação calórica, são pessoas fracas e doentes gerando pessoas fracas e doentes e que, sem esclarecimento, perpetuam uma forma de viver e se alimentar péssima, que lota os hospitais públicos que não tem os investimentos e administração que deveriam e vivem numa espécie de purgatório em vida.
Vivendo superficialmente, almejando comer bife um todas as refeições - porque ensinaram que ela merece isso e assim ela pode ter a certeza de ter melhorado de vida - ou usar alguma grande marca que na prática foi feita na china por algum escravo e revendida como se fosse original pra uma pessoa que economizou meses para poder comprar e não se sentir totalmente excluída da vida social.
Com uma população sem valores morais, éticos e sociais, é com isso que estamos vivendo, ninguém quer encarar os fatos de sermos recursos para bilionários que controlam o que, como e quanto nós comemos.
Se seguirmos a teia dos alimentos industrializados que ocupam a maior parte do nosso carrinho de compras no mercado, chegaremos a poucas empresas transnacionais que com capital e poder estão controlando, o que e quem tem direito de comer , em praticamente todo mundo sendo apoiadas por governos corruptos que fecham os olhos e enchem os bolsos de dinheiro sem se preocupar com a vida de seus cidadãos.
Imagino o futuro pior, pois a quantidade de gente aumenta muito mais rápido que a qualidade e pra quem lucra com isso o quadro está ótimo e não precisa mudar. Mas e pra gente que não lucra nada? Até quando vamos esperar para agir?


